Morreu Lee Teng-hui, o “Sr. Democracia” de Taiwan


julho 31, 2020

Presidente ente 1988 e 2000, foi uma figura central na promoção da autonomia de Taiwan e nas reformas democráticas, o que levou a vários confrontos com Pequim, mas também com o próprio partido.

O antigo Presidente de Taiwan Lee Teng-hui, que estava hospitalizado desde Fevereiro, morreu ontem aos 97 anos, em Taipé, devido a problemas cardíacos que levaram à falência dos seus órgãos.

Foi Presidente entre 1988 e 2000 e, em 1996, tornou-se no primeiro chefe de Estado democraticamente eleito.

O gabinete da Presidente de Taiwan, Tsai Ing-wen, invocou o legado de Lee Teng-hui: “A Presidente acredita que a contribuição do ex-Presidente Lee para a jornada democrática de Taiwan é insubstituível e a sua morte representa uma grande perda para o país.”

Apelidado de “Sr. Democracia” e até de “Pai de Taiwan” ao longo da sua vida, Lee Teng-hui foi uma figura controversa, que moldou o espectro político na região. Bateu-se pela identidade de Taiwan, o que o pôs várias vezes em confronto com a China, apesar de ter pertencido ao Partido Comunista Chinês (PCC) no fim da II Guerra Mundial, uma filiação que durou pouco tempo.

Nasceu em 1923, em Sanzhi, numa comunidade agrícola nos arredores de Taipei e estudou agronomia na Universidade Imperial de Quioto, no Japão, e cumpriu o serviço militar no exército japonês durante a II Guerra Mundial, quando as autoridades japonesas governaram Taiwan (1895-1945), mas nunca chegou a entrar em combate.

No final da Guerra, regressou a Taiwan e juntou-se ao PCC. No entanto, rapidamente renunciou ao marxismo e, na década de 1970, juntou-se ao Kuomintang (KMT), o Partido Nacionalista Chinês, que governou Taiwan durante várias décadas, e apagou os registos da sua passagem pelo PCC. Contudo, foi interrogado várias vezes pelas autoridades de Taiwan em relação à sua actividade no PCC, particularmente na década de 1960, quando Taiwan vivia sob lei marcial, que vigorou entre 1949 e 1987, imposta pelo Presidente Chiang Kai-shek.

Viveu vários anos nos Estados Unidos, onde cultivou relações com Washington, depois de ganhar bolsas para estudar na Universidade do Iowa, em 1952, onde tirou um mestrado em agricultura económica, e na Universidade de Cornell, em Nova Iorque, em 1964, onde tirou o doutoramento.

Em Agosto de 1971, foi apresentado a Chiang Ching-kuo, filho do Presidente Chiang Kai-shek, também ele especialista em agricultura. Dois meses depois, entrava para o KMT.

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