Irão diz que EUA estão "isolados"


agosto 26, 2020

O Conselho de Segurança da ONU considera que Washington não tem o direito de recuperar as sanções internacionais contra Teerão, porque abandonou o pacto em 2018.

O ministro das Relações Exteriores iraniano, Mohamad Yavad Zarif, considerou que os Estados Unidos estão “novamente isolados” após a decisão do Conselho de Segurança da ONU de não aceitar a seu pedido de restabelecimento de sanções ao Irão.

“O assédio ilegal do Secretário de Estado Mike Pompeo deixa os EUA isolados novamente”, realçou o chefe da diplomacia iraniana na. E ainda disse que é hora do Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, “parar de ouvir os valentões novatos”, ao referir-se a Pompeo. Aproveitou para referir que os países participantes da reunião de ontem da Organização das Nações Unidas sobre o Médio Oriente “rejeitaram a tentativa dos EUA [de restabelecer as sanções]”.

A Indonésia, que neste mês detém a presidência rotativa do Conselho de Segurança, disse que não planeia tomar qualquer medida em relação ao pedido dos Estados Unidos de restabelecer as sanções ao Irão devido à falta de consenso no órgão.

Mike Pompeo apresentou um procedimento perante a ONU na semana passada para recuperar as sanções internacionais contra Teerão que foram levantadas com o acordo nuclear de 2015, argumentando que o governo iraniano violou as suas obrigações.

A maioria do Conselho de Segurança, com inclusão dos países com direito de voto, considera que Washington não tem o direito de usar esse mecanismo, porque abandonou o pacto em 2018. No entanto, não há total clareza sobre o que acontecerá, uma vez que os Estados Unidos insistem que podem implementar a cláusula que permite o retorno automático das sanções caso o Conselho de Segurança não aprove em 30 dias uma resolução nesse sentido.

Washington decidiu optar pelo restabelecimento de todas as sanções da ONU contra o Irão depois de fracassar na sua tentativa de estender o embargo de armas àquele país, que terminará em Outubro.

O acordo nuclear, assinado em 2015 entre o Irão e seis grandes potências para limitar o programa atómico iraniano em troca de alívio das sanções internacionais, foi seriamente afectado desde que os Estados Unidos o deixaram. Em resposta à retirada dos EUA e ao fracasso dos outros signatários em neutralizar as sanções unilaterais do país, o Irão gradualmente falhou em cumprir os seus compromissos, incluindo limites ao enriquecimento de urânio.

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