Corrida a Belem


maio 18, 2020

Ana Gomes pondera candidatura à Presidência da República

A ex-eurodeputada, que sempre disse que não se candidataria, mudou de ideias depois de António Costa, ainda que indirectamente, ter apoiado uma recandidatura de Marcelo Rebelo de Sousa.

A socialista Ana Gomes admitiu na noite deste domingo estar a reflectir sobre uma candidatura à Presidência da República, depois de António Costa ter, ainda que indirectamente, apoiado uma eventual recandidatura de Marcelo Rebelo de Sousa. “Estou a reflectir”, afirmou na noite deste domingo na SIC Notícias. Segundo o PÚBLICO apurou, neste momento a vontade de Ana Gomes avançar é maior do que não o fazer.

A ex-eurodeputada, que sempre disse que não se candidataria, mas mudou de ideias depois de António Costa, ainda que indirectamente, ter apoiado uma recandidatura de Marcelo Rebelo de Sousa. Sempre disse também que nunca avançaria com um candidatura que dividisse o PS, mas o facto de achar que uma candidatura de Marcelo começar a surgir com uma candidatura de regime, o que entende como favorecendo uma candidatura da extrema-direita, como a de André Ventura, fez faze-la começar a pensar sobre a importância de haver um candidatura da esquerda democrática no terreno. Por outro lado tem sido muito pressionada por figuras de muito destaque no PS a avançar. Ana Gomes sempre defendeu que o PS devia ter um candidato próprio. Ora, quando António Costa praticamente apoia Marcelo, a ex-eurodeputada apresenta-se como candidata socialista, ainda que possa não ter o apoio directo do PS.

“Os que disserem que Costa tinha arrumado uma candidatura de Ana Gomes estiveram sempre enganados. A declaração de Costa só a desarrumou”, disse ao PÚBLICO um destacado socialista.

“Nunca se viu o relançamento de uma recandidatura de um Presidente da Republica ser feito numa fábrica de automóveis por alguém que não estava na qualidade de dirigente partidário, mas na qualidade de primeiro-ministro e num contexto em que o Presidente da República tinha acabado de se ingerir numa bastante criticável agenda de assuntos do Governo”, começou por afirmar Ana Gomes.

“Isto mudou muita coisa”, acrescentou. Nomeadamente a sua negação de avançar com uma candidatura a Belém. “Isto é grave e faz-nos reflectir. Um candidato do regime, que, no fundo, é o que é hoje Marcelo Rebelo de Sousa, vai polarizar a sociedade e isso vai facilitar a vida à extrema-direita organizada, não só cá mas internacionalmente”, salientou.

Por isso, “isto é tão grave”, que Ana Gomes, que sempre disse que não era candidata, está agora a reflectir sobre a sua posição. “Haver um candidato do regime, que faz o jogo da extrema-direita, é muito perigoso para a democracia e, portanto, todos temos de reflectir e eu também”, acrescentou.

Fonte: PUBLICO

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