África pode perder quase 240 mil milhões USD


agosto 26, 2020

O economista-chefe do Banco Africano de Desenvolvimento considerou que África pode perder quase 240 mil milhões USD neste e no próximo ano devido à pandemia, que torna provável uma crise da dívida.

"As perdas cumulativas no Produto Interno Bruto no continente podem oscilar entre os 173,1 mil milhões USD (147 mil milhões de euros) e os 236,7 mil milhões USD (200 mil milhões de euros) em 2020 e 2021, e a pandemia da COVID-19 ameaça aumentar o fardo da dívida dos países de 60 para 70% do PIB, aumentando a probabilidade de uma crise da dívida soberana", escreve Charles Leyeka Lufumpa.

O Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) informa que "o financiamento adicional necessário para acomodar as consequências da crise pode chegar aos 150 mil milhões USD".

África, escreve o economista, "chegou à crise numa forma razoavelmente boa, no seguimento de décadas de progressos na saúde, educação e economia" e com o investimento, e não o consumo, a sustentar mais de metade do crescimento económico do continente, que será interrompido este ano pela primeira vez, prevendo-se uma recessão à volta de 4%.

No entanto, "numa parte do mundo onde 85% da população ganha a vida no sector informal, o desemprego originado pelo vírus pode empurrar mais 28 a 49 milhões de pessoas para a pobreza extrema, e se as acções adequadas não forem tomadas, o impacto da crise e da insegurança alimentar e da má nutrição pode ser ainda pior que o previsto".

África "precisa de respostas políticas robustas em todos os países", defende o economista, que é também o vice-presidente do BAD para a Governação Económica e Gestão do Conhecimento.

O continente, salientou, "deve dar prioridade à despesa em saúde para garantir equipamento e materiais de protecção pessoal essencial, à aceleração da produção local de materiais médicos e descoberta de vacinas e medicamentos".

As transferências directas de verbas e subsídios para os agregados familiares mais vulneráveis, assim como subsídios e isenções fiscais para os negócios também devem ser implementados, defende Charles Leyeka Lufumpa, ao realçar que os bancos centrais têm de injectar liquidez na economia e, a longo prazo, garantir almofadas financeiras para acomodar futuros choques.

Os governadores do banco, tradicionalmente os ministros das Finanças e da Economia dos Estados membros do BAD, que vão reunir-se esta semana, pela primeira vez de forma virtual, nos Encontros Anuais, que deverão ficar marcados pela reeleição do presidente, Akinwumi Adesina, para um segundo mandato de cinco anos.

Lembrar que em África, há mais de 28 mil mortos confirmados em cerca de 1,2 milhões de infectados pelo novo coronavírus em 55 países, segundo as estatísticas mais recentes sobre a pandemia no continente.

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